Não via meu rosto assim há tanto tempo, nem seus olhos castanhos...
O abraço guardado perdeu o tempero, mas o amor o manteve quente.
E em todos os quadros que até agora pintei coloquei seus velhos traços, espero que se contente em saber que já decorei cada ângulo.
Quantas vezes já me encontraram escondida com medo de encarar um estranho...
E quando eu decidi seguir em frente...
Eu vi...
O suor dos corpos virando um só...
Ali eu cometi meu maior erro,
Pois escutei a mais sublime música do teu coração...
E eu podia ter tapado os ouvidos, mas eu nunca falhei no meu exagero.
Já haviam me dito sobre seu olhar, e eu insisti..
Eu quis me aprofundar e me molhei e me afoguei e me encontrei dentro do seu...
Lago tão escuro, e pela primeira vez eu recusei uma salvação...
E dormi no sono mais puro...
Se te contar que o caminho é afável agora
Eu estarei só me enganando...
O preto e branco que invade esta paisagem lúgubre, é o mais nefando...
E no abismo de neblina que decidi pular
Eu vi voando seu esboço
E agora eu quero te pintar de novo, de novo e de novo...
Até a noite iluminar-se pelo seu sorriso brando...