terça-feira, 26 de abril de 2011

Discurso Frívolo

Hoje concluo que este é o sentimento mais triste que já conheci, pois vejo nos olhos que eram doces, caminhos egoístas e pobres, o leve confundiu-se com vazio e o ladrão acabou por tornar-se a vítima.
De todas as estações do ano que já vivi, este é o outono mais frio e injusto, toda ventania que por ti passou levou um pedaço de gente que existiu no seu ser, agora nú você lamenta...Não existe alma que aqueça o corpo insistente enterrado no gelo.
E no meio do furacão de angustia eu seguro na única matéria imóvel e tento imaginar o que foi que aconteceu, a ordem cronológica de meus pensamentos deixa-me tão compungida, que vejo que do sorriso surge à lamúria e dela nasce repulsão, seguida de melancolia... A nostalgia faz-me pensar naquelas antigas mãos calmas e quentes que desapareceram... Por que viraste urso hibernando no inverno?Acabou por esquecer-se do riso do menino, da brancura do floco de neve e da leveza do dia após dia.
Meus olhos penosos te mostram o retrato da sua maior perda, você sempre tentou enganar-me com centenas de aparências harmoniosas, descobriu hoje minha cegueira, e os sentimentos que me cobrem esta noite são tantos que sonho em limitá-los.
Ah,seu urso maldito!Olha só a que sensações me reduziste?Meus olhos sorriem ao contrário, enquanto a futilidade reina dentro dos seus, por isso enrolo em vão este papel, e encerro menos infeliz que no início.
A parte mais dolorosa do tempo não é a morte, porque mesmo com ela a substância humana ainda permanece, a pior dor é ver viva uma pessoa que perdeu sua essência em qualquer garoa fina...

Bárbara G